CONFERÊNCIA «PORTUGAL EMPREENDEDOR – CRESCER E INTERNACIONALIZAR»

No passado dia 19 de Julho, realizou-se em Cascais, no Auditório do Centro Cultural, o segundo evento público do projecto «Portugal Agora» – a conferência «Portugal Empreendedor – Crescer e Internacionalizar».

O evento juntou um leque variado de oradores-convidados e participantes, com experiência nos momentos-chave do empreendedorismo (educação, planeamento, financiamento, desenvolvimento e expansão). O evento esteve focado em perceber como potenciar o nascimento e crescimento de empresas inovadoras e flexíveis, que possam ganhar escala neste mercado global

O primeiro painel contou com a presença de Francisco Veloso (Católica Lisbon – SBE), Marco Fernandes (DNA Cascais), Miguel Alves Martins (IES – Instituto de Empreendedorismo Social) e Pedro Rocha Vieira (Beta i).

Depois da apresentação do projecto «Portugal Agora» e da dimensão “Portugal Empreendedor, efectuada pelo seu coordenador Carlos Sezões, o 1º painel debateu «Como competir e atrair num mercado global».

Iniciou-se com a intervenção de Marco Fernandes, que abordou o necessário enquadramento a nível territorial dos apoios ao empreendedorismo. Mencionou a importância do princípio da subsidiariedade, da criação de ecossistemas de empreendedorismo (a partir, por exemplo, das escolas. Foi também abordada a relevância do networking, da possibilidade de mentoring e de parcerias, com vista a afinar e dar consistência às fases iniciais de construção de uma ideia ou projecto. Com vista à sustentabilidade de das novas empresas, será decisiva a existência de um plano de análise e mitigação de riscos. As questões inerentes à transferência de tecnologia foram também mencionadas nesta primeira intervenção.

Já Miguel Alves Martins, responsável do IES, abordou a actual fortíssima ligação de projectos de empreendedorismo social a estruturas públicas locais. Reforçou a importância de capacitar os empreendedores sociais com competências-chave para o seu desempenho e a necessidade e contornar os problemas com a mediação dos impactos dos projectos.

Em termos de linhas para o futuro, mencionou o necessário apoio ao crescimento e internacionalização e resolver os obstáculos jurídicos à fusão de instituições sociais. A existência de “dock-stations” de serviços de gestão foi também uma proposta avançada para melhorar o funcionamento destas organizações.

O orador seguinte, Francisco Veloso, da Universidade Católica, focou-se na importância de criar ambientes de excelência científica e técnica, com vista ao desenvolvimento de clusters empreendedores. Com base em casos de estudo nacionais e internacionais, mencionou o carácter decisivo de transferência de projectos tecnológicos entre empresas e universidades. A mobilidade de empreendedores será aqui, um factor-chave.

Mencionou ainda a necessidade de melhorar os apoios às PME apostando, essencialmente, nas empresas de rápido crescimento.

Pedro Rocha Vieira, responsável da Beta i, começou por efectuar uma apresentação da sua associação, realçando a sua missão, objectivos e tipologias de eventos, orientados para a aceleração dos projectos empreendedores. A essência dos programas de aceleração customizados, que facilitam o time to market, a existência de mentores experientes e a facilitação das relações com investidores foram aspectos realçados nesta intervenção.

Focando-se na importância de captar talento, deu o exemplo do Lisbon Challenge, para a atracção de empreendedores à escala global. A importância dos exemplo dos “Champions” (projectos de elevada performance e crescimento) foi também realçada.

Em termos de propostas e linhas de actuação a explorar no futuro, Pedro Rocha Vieira, mencionou a importância do capital de risco “crossborder”, uma fiscalidade mais favorável (incentivos fiscais, redução do IRC e taxas sociais nos primeiros anos de vida de uma empresa) e, como forma de apoio à liquidez das empresas, prazos de pagamento mais rápidos pelo Estado.Adiantou ainda as vantagens de um public procurement mais amigável das start-ups. De evidenciar ainda as suas preocupações com a criação de uma cultura de experimentação e intrapreendedorismo, essencial para o surgimento de novos projectos.

Na Mesa Redonda que se seguiu, dedicada ao tema «Como ganhar escala no mercado global», participaram José Epifânio da Franca (Portugal Ventures), Nuno Carvalho (Neoasfalto), Pedro Janela (Wygroup) e Miguel Amaral (IST).

Para Nuno Carvalho, a imagem global de Portugal é essencial para o sucesso das empresas nacionais, que exportam ou investem lá fora. Tal permite credibilizar os nossos produtos e serviços. Para o gestor, a facilitação ao nível da concessão de crédito é um dos factores-chave para o sucesso das empresas, dando como exemplo a proposta de criação uma linha de seguro de crédito nacional. Abordou ainda temas como a accountability dos empresários, a simplificação do processo de licenciamento industrial e comercial e, no financiamento à economia, a questão da priorização no financiamento a empresas fornecedoras de bens transaccionáveis que exportem ou substituam importações.

Já Pedro Janela, realçou que são necessárias apostas ambiciosas, a nível nacional, e quantificou várias: 1 bilião de euros de capital-semente gerido pela Portugal Ventures, 10 milhões de portugueses promovendo estratégias de empreendedorismo global, fazendo disso uma causa nacional, 1 milhão de novos talentos STEM (Science Technology, Engineering and Mathematics) recrutados no mercado mundial, 100,000 estudantes do ensino secundário, envolvidos numa competição sobre empreendedorismo, entre outras.

Mencionou ainda a importância de se trabalhar pelo menos um ano no estrangeiro, para exposição a ambientes competitivos e a importância de “hub’s” nacionais em cidades como Boston, São Francisco, São Paulo, Xangai, Londres, Miami, Mumbai, Dubai ou Moscovo.

José Epifânio da Franca, da Portugal Ventures, focou a sua intervenção na importância dos empresários, desde cedo, desenvolverem competências para um mindset global. Será importante, na sua óptica, ganhar escala em termos de capital humano e financeiro. Mencionou, a propósito, a métrica desejada de 100 novas empresas de base tecnológica a empregarem, cada uma cerca de 100 pessoas. Enfatizou ainda a importância de inspirar o intrapreendedorismo nas empresas. Por último, mencionou as vantagens que Portugal teria em aproveitar e atrair a sua diáspora e mencionou, nesse contexto, o bom exemplo irlandês.